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É hoje !

sexta-feira, 9 de agosto de 2013 Marcadores:







É hoje !

É hoje o dia que ela fica mais graciosa,
mais linda, mais delicada, mais atenciosa,
mais rica em espírito, mais especial,
mais insubstituível, mais inspiradora,
mais autentica, mais segura, mais doce,
mais única...

É o seu aniversário quero lhe desejar toda a felicidade do mundo,
afinal você merece, por ser uma pessoa especial,
uma criatura única que me enche de orgulho e prazer em estar ao seu lado.

Parabéns, muitos anos de vida com saúde e fé, que a paz de Deus que nos uniu,
possa nos acompanhar, nos encher de sonhos e estender nossos dias de vida.

Você é uma pessoa muito amada, é fiel ao evangelho e digna de ser feliz.

A vida ao seu lado é mais legal kkk, por isso merece todas as
bênçãos de sucesso e vitória.

Saiba que ter alguém pra dividir os sonhos é muito bom,
ainda mais quando esse alguém é a Raio .

Feliz Aniversário Rhayane Oliveira.
Te Amo. Parabéns.
09Ago2013


Atualidade - Mulher

sábado, 17 de março de 2012 Marcadores:




Parem tudo.
Silêncio.
O que está havendo?

Céu cinza, colore.
Tempestade vira brisa.
O tempo que corre, pára.
Pára, mas eterniza.

Aquilo que falta, sobra.
Aquilo que sobra, falta.
Árvore seca, flora.
O belo aos olhos ressalta.

O agreste vira mar.
Todo caos se harmoniza.
Todo olho alumbrar.
Esse mundo precisa.

Abrir-se-á o portal.
Ansiedade acomete.
Todo mero mortal.
Ante ti se derrete.

Mulher, ser “quase” perfeito.
Coroa da criação.
Do artista o melhor feito.
Não cabe em explicação.

É linda, doce, singela.
Intensa, forte e sagaz.
É esguia, é segura e imponente.
Quer carinho, nada mais.

Mulher que cuida de muitos.
Procura quem cuide de si.
Mulher em quem cabe o mundo.
Tão pequena, cabe aqui.

Mulher, somos devotos teus.
É fácil nos subjugar.
Condenaste-nos ao céu.
A nossa pena é te amar.



Atualidade - A vida e a mídia: Deve haver algum equívoco!

sábado, 5 de novembro de 2011 Marcadores:



Carta Maior, sexta-feira, 4/11/2011

A Venezuela de Chavez, como sabemos, pela leitura diária dos jornais e o martelar inclemente das tevês, é um dos piores lugares do mundo para se viver. Só pode ter sido um erro, assim, atribuir aos venezuelanos um nível de satisfação com a vida tão elevado, como o que consta no Relatório de 2011 do Índice de Desenvolvimento Humano da ONU.

Numa escala de 1 a zero, os mais felizes com a vida no planeta são os noruegueses com 7,6. O Brasil registra um grau de felicidade de 6,8. O dos venezuelanos é de 7,5. No mesmo relatório, a Argentina, que a narrativa dominante retrata como uma sociedade que cavou a própria sepultura após oito anos de populismo kirchnerista, emerge em 45º lugar em desenvolvimento humano. Isso numa lista de 187 nações avaliadas e comparadas com base em indicadores de expectativa de vida, escolaridade e renda per capita.

Outra discrepância notável é o caso de Cuba. Literalmente despencando, desprovida de qualquer mérito e legitimidade, a julgar pelos relatos jornalísticos, a Ilha, que há 50 anos vive sob o cerco do bloqueio comercial norte-americano, resiste em 51º lugar, logo abaixo, quatro degraus, do grupo que inclui as nações com os melhores IDHs da terra.

Deve haver algum equívoco.

Assim também como parece um total despropósito que o Iraque amargue ainda a 132ª posição, depois de oito anos de ocupação norte-americana, enquanto a Líbia, depois de 40 anos sob o inominável regime de Kadafi, ostente o 64º melhor desenvolvimento humano – 23 degraus à frente da bem comportada e moderna Colômbia, por exemplo, até há pouco dirigida pelo sempre agraciado com elogios midiáticos, o operoso e respeitado democrata, Álvaro Uribe.


Atualidade - Luther King provavelmente apoiaria Ocupe Wall Street

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 Marcadores:


Amy Goodman.

No domingo passado, foi inaugurado o monumento nacional em homenagem a Martin Luther King Jr. O Presidente Barack Obama falou sobre o Dr. King: “Se estivesse vivo hoje, creio que nos lembraria que o trabalhador desempregado tem todo o direito de denunciar os excessos em Wall Street, mas sem demonizar aqueles que trabalham ali”. A inauguração oficial ocorreu no momento em que o movimento “Ocupemos Wall Street” soma cada vez mais adeptos e se transforma num fenómeno mundial. O que Obama não disse é que se King estivesse vivo provavelmente estaria a manifestar-se contra as políticas do seu governo.

A poucos passos da cerimónia de inauguração, Cornel West, pastor, académico, escritor e activista foi preso nas escadas do Supremo Tribunal dos Estados Unidos. Antes de ser enviado à prisão, disse: “Queremos registar hoje que conhecemos a relação existente entre a cobiça empresarial e o que acontece frequentemente nas decisões do Supremo Tribunal. É significativo que neste dia de homenagem a Martin Luther King Jr. alguém seja enviado para a prisão porque Martin King estaria aqui, disposto a lutar connosco e o faria pelo seu profundo amor.”

O professor West, que foi preso juntamente com outras 18 pessoas, declarou: “Estamos aqui para expressar a nossa solidariedade com o movimento de protesto em todo o mundo porque amamos os mais pobres, amamos os trabalhadores e queremos que Martin Luther King Jr. saiba que não nos esquecemos da sua luta e sorria da sua tumba”.

Durante este mesmo fim de semana, a campanha de ataques com aviões não tripulados das forças armadas norte-americanas e a CIA, sob as ordens do Comandante-Chefe Obama, lançou o que foi chamado pelo Escritório de Jornalismo de Investigação (BIJ, sigla do nome original em inglês, uma organização independente sem fins lucrativos com sede em Londres) de “o ataque de número 300” com esses aviões, o 248º desde que Obama assumiu a presidência. Segundo a BIJ, das 2.328 pessoas mortas pelos ataques, entre 386 e 775 são civis, entre elas, 175 crianças. Imagine-se como iria responder King, Prémio Nobel da Paz assim como Obama, a estas cifras cruas.

Em 1963, King publicou uma recompilação de sermões intitulada “A força de amar”. O prefácio começa assim: “Nestes dias de revoltas e incertezas, os génios malignos da guerra e da injustiça económica e racial ameaçam inclusive a sobrevivência da raça humana”. Três dos 15 sermões foram escritos nos cárceres da Georgia, entre eles “Sonhos destroçados”. Nele, escreveu: “Cooperar passivamente com um sistema injusto converte o oprimido num ser tão malvado como o opressor”. King retomou a ideia dos sonhos destroçados quatro anos mais tarde, e oito meses antes de ser assassinado, no seu discurso chamado “Para onde vamos”. “Em certas ocasiões, os nossos sonhos serão destroçados e as nossas esperanças etéreas, quebradas. Quando os nossos dias se tornarem tristes e nos invadir uma nuvem de desesperança, e quando as nossas noites se tornem mais obscuras que mil meias-noites, lembraremos que há uma força criativa do universo que trabalha para derrubar as enormes montanhas do mal, um poder que é capaz de superar qualquer obstáculo e converter o passado obscuro em radiante porvir. O arco do universo moral é amplo, mas inclina-se para o lado da justiça”.

Nesse mesmo ano, 1967, um ano antes de ser assassinado, King fez o seu discurso “Muito além do Vietname” na Igreja Riverside da cidade de Nova York, onde proclamou: “Descobri que nunca mais vou poder lançar a minha voz contra a violência dos oprimidos nos bairros marginais sem antes falar do principal responsável pela violência do mundo actual, o meu próprio governo”.

Essas palavras e esse discurso marcaram o estado de ânimo que iria caracterizar o último e fatal ano da vida de King. Apesar das ameaças de morte e do conselho dos seus assessores para que não fosse a Memphis, King participou da marcha em solidariedade aos varredores dessa cidade. No dia 04 de abril de 1968, morreu assassinado de um disparo no balcão do Motel Lorraine.

Dois jovens daquela época, que foram profundamente afectados pelo assassinato de King, permitiram-nos percorrer o caminho que vai do arco de justiça moral do Dr. King até ao movimento “Ocupemos Wall Street”. Um deles é John Carlos, um atleta olímpico norte-americano. Carlos ganhou a medalha de bronze na corrida de 200 metros do atletismo nos Jogos Olímpicos de 1968 na Cidade do México. Carlos e o seu companheiro de equipe, Tommie Smith, que ganhou a medalha de ouro, voltaram mundialmente famosos por terem feito a saudação do Poder Negro no pódio. Ambos subiram para receber as suas medalhas sem sapatos, num sinal de protesto pela situação de pobreza das crianças afro-descendentes nos Estados Unidos. Na semana passada, John Carlos manifestou-se no “Ocupemos Wall Street”. Em seguida disse-me: “Estou tão feliz de ver tantas pessoas aqui, reunidas para dizer: ‘Não pedimos mudanças. Exigimos mudanças’”.

O outro é o Reverendo Jesse Jackson, que estava junto de King quando o assassinaram. Na segunda-feira de madrugada, o Departamento de Polícia de Nova York parecia tentar avançar sobre a barraca de primeiros socorros do “Ocupemos Wall Street”. O Reverendo Jackson estava ali. Apenas dias depois de completar 70 anos, Jackson juntou-se aos jovens manifestantes para enfrentar a polícia. A polícia retirou-se e o arco do universo moral inclinou-se um pouco mais para o lado da justiça.

Artigo publicado no Democracy Now em 18 de outubro. Foi traduzido do inglês para o espanhol por Mercedes Camps. Rafael Cavalcanti Barreto traduziu do espanhol para o português e Carlos Santana revisou para o português de Portugal.


Atualidade - 11/09 - HOJE SOMOS #ALLENDE, VIETNAM, WTC

domingo, 11 de setembro de 2011 Marcadores:

Para os que não sabem, a foto abaixo é de uma menina queimada por napalm pelas tropas americanas no Vietam.

Explosão do palácio no Chile, com seres humanos dentro, financiada pelos EEU.

Hoje faz 28 anos que os EEUU financiaram e garantiram o Golpe Militar contra a Democracia Chilena. 30.000 mortos.

Hoje faz 10 anos que psicopatas atacaram as torres gêmeas de Nova Iorque. 3.000 mortos.
Muitos outros aniversários de horrores acontecem todos os dias, mas estes dois foram recentes e na mesma data.

 A violência não se mede por números. Qualquer violência tem a mesma origem: o Mal que comanda o coração dos homens.

Um senhor me escreve e diz que o sobrinho dele não pediu para ser “ianque” e nem pediu para morrer. Concordo e lamento.

Lamento por ele e pelas famílias de todos os árabes, judeus, afgãos, chilenos, japoneses, brasileiros, argentinos, somalis, angolanos, panamenhos, ianques, colombianos, líbios, todos os que nos tempos modernos choram a perda de seus entes queridos diante da bestialidade e estupidez humanas.

Ao lembrar que os ianques não são as únicas vítimas deste terror, faço coro com historiadores que afirmam que são na verdade responsáveis por ele, com a política externa que possuem.

Os poderosos sempre foram cruéis: romanos, cruzados franceses, inquisidores espanhóis, príncipes alemães, revolucionários franceses, colonialistas ingleses, nazistas, fascistas, invasores japoneses, stalinistas, e nos tempos modernos: os ianques.

Para vingar 3.000 mortos no WTC os EEUU enviaram para a morte 6.000 jovens soldados americanos, na sua maioria, negros, latinos... nunca a raça pura, os wasps.Os parentes destes jovens também  choram suas perdas.

 Invadiram duas nações em nome da “Guerra ao terror”  – Iraque e Afeganistão -  e levaram a morte a 900.000 pessoas,  em sua maioria absoluta:  inocentes.

Que este 11 de setembro seja o dia de chorarmos por todos os mortos, nossos irmãos humanos, independente de suas crenças ou etnias. Todos os nossos irmãos humanos indefesos diante do Poder  e  da indústria da guerra e do terror.

Que seja um dia de reflexão e de amor ao próximo. As vítimas não são apenas jovens ianques. Somos todos nós: a raça humana, pela qual o Poder não tem o menor apreço.

“Espinhos e armadilhas há nos caminhos dos perversos”.  ” O que mata pela espada, pela espada será morto.”

É um rio de sangue que corre há séculos. Retomemos a Campanha pela Paz no Mundo.

Enquanto  carne  e espíritos, cultivemos a nossa parte Divina alimentada pelo amor ao próximo, e deixemos que a Besta   alimente-se da carne da  águia imperialista dos poderosos.

Por isto que neste 11 de setembro não sou somente um vitimizado ianque, sou também  #Allende e todos os que morreram pela estupidez humana.

PS: Para os que teimam em ser estultos, este post não defende o terror contra os EEUU, mas sim uma condenação a todo tipo de violência.

http://blogdobemvindo.blogspot.com

Atualidade - Um Cafezinho - Ariovaldo Ramos

sexta-feira, 9 de setembro de 2011 Marcadores:


Atualidade - Quais as probabilidades?

sábado, 3 de setembro de 2011 Marcadores:


thegospelcoalition

As probabilidades de você ser atingido por um raio são de 1 em 576.000.

As probabilidades de você ter um encontro com uma supermodel são de 1 em 880.000.

As probabilidades de você ver um OVNI são de 1 em 3.000.000.

As probabilidades de você ganhar um super prêmio na loteria são de 1 em 14 milhões.

Então, é mais provável você conseguir ser atigindo por um raio, enquanto vê um OVNI em um encontro com uma supermodel, do que se tornar um milionário através da loteria.

Diga-me então, por que ainda alguém compra esses bilhetes ?.


Atualidade - Governados por cegos e irresponsáveis

domingo, 21 de agosto de 2011 Marcadores:



Leonardo Boff.

Somos governados por cegos e irresponsáveis, incapazes de dar-se conta das consequências do sistema econômico-político-cultural que defendem. Criou-se uma cultura do consumismo propalada por toda a mídia. Há que consumir o último tipo de celular, de tênis, de computador. 66% do PIB norteamericano não vem da produção mas do consumo generalizado

Afunilando as muitas análises feitas acerca do complexo de crises que nos assolam, chegamos a algo que nos parece central e que cabe refletir seriamente. As sociedades, a globalização, o processo produtivo, o sistema econômico-financeiro, os sonhos predominantes e o objeto explícito do desejo das grandes maiorias é: consumir e consumir sem limites. Criou-se uma cultura do consumismo propalada por toda a mídia. Há que consumir o último tipo de celular, de tênis, de computador. 66% do PIB norteamericano não vem da produção mas do consumo generalizado.

As autoridades inglesas se surpreenderam ao constatar que entre os milhares que faziam turbulências nas várias cidades não estavam apenas os habituais estrangeiros em conflito entre si, mas muitos universitários, ingleses desempregados, professores e até recrutas. Era gente enfurecida porque não tinha acesso ao tão propalado consumo. Não questionavam o paradigma do consumo mas as formas de exclusão dele.

No Reino Unido, depois de M.Thatcher e nos USA depois de R. Reagan, como em geral no mundo, grassa grande desigualdade social. Naquele país, as receitas dos mais ricos cresceram nos últimos anos 273 vezes mais do que as dos pobres, nos informa a Carta Maior de 12/08/2011.

Então não é de se admirar a decepção dos frustrados face a um “software social” que lhes nega o acesso ao consumo e face aos cortes do orçamento social, na ordem de 70% que os penaliza pesadamente. 70% do centros de lazer para jovens foram simplesmente fechados.

O alarmante é que nem primeiro ministro David Cameron nem os membros da Câmara dos Comuns se deram ao trabalho de perguntar pelo porquê dos saques nas várias cidades. Responderam com o pior meio: mais violência institucional. O conservador Cameron disse com todas as letras: “vamos prender os suspeitos e publicar seus rostos nos meios de comunicação sem nos importarmos com as fictícias preocupações com os direitos humanos”. Eis uma solução do impiedoso capitalismo neoliberal: se a ordem que é desigual e injusta, o exige, se anula a democracia e se passa por cima dos direitos humanos. Logo no país onde nasceram as primeiras declarações dos direitos dos cidadãos.

Se bem reparmos, estamos enredados num círculo vicioso que poderá nos destruir: precisamos produzir para permitir o tal consumo. Sem consumo as empresas vão à falência. Para produzir, elas precisam dos recursos da natureza. Estes estão cada vez mas escassos e já delapidamos a Terra em 30% a mais do que ela pode repor. Se pararmos de extrair, produzir, vender e consumir não há crescimento econômico. Sem crescimento anual os paíes entram em recessão, gerando altas taxas de desemprego. Com o desemprego, irrompem o caos social explosivo, depredações e todo tipo de conflitos. Como sair desta armadilha que nos preparamos a nós mesmos?

O contrário do consumo não é o não consumo, mas um novo “software social” na feliz expressão do cientista político Luiz Gonzaga de Souza Lima. Quer dizer, urge um novo acordo entre consumo solidário e frugal, acessivel a todos e os limites intransponíveis da natureza. Como fazer? Várias são as sugestões: um “modo sustentável de vida”da Carta da Terra, o “bem viver” das culturas andinas, fundada no equilíbrio homem/Terra, economia solidária, bio-sócio-economia, “capitalismo natural”(expressão infeliz) que tenta integrar os ciclos biológicos na vida econômica e social e outras.

Mas não é sobre isso que falam quando os chefes dos Estados opulentos se reunem. Lá se trata de salvar o sistema que veem dando água por todos os lados. Sabem que a natureza não está mais podendo pagar o alto preço que o modelo consumista cobra. Já está a ponto de pôr em risco a sobrevivência da vida e o futuro das próximas gerações. Somos governados por cegos e irresponsáveis, incapazes de dar-se conta das consequências do sistema econômico-político-cultural que defendem.

É imperativo um novo rumo global, caso quisermos garantir nossa vida e a dos demais seres vivos. A civilização técnico-científica que nos permitiu niveis exacerbados de consumo pode pôr fim a si mesma, destruir a vida e degradar a Terra. Seguramente não é para isso que chegamos até a este ponto no processo de evolução. Urge coragem para mudanças radicais, se ainda alimentamos um pouco de amor a nós mesmos.

Atualidade - Luiz Felipe Pondé

quinta-feira, 18 de agosto de 2011 Marcadores:

Roda Viva.







Atualidade - Europa, primeiro mundo?

terça-feira, 19 de julho de 2011 Marcadores:



"A Europa Ocidental atingiu o topo de seu bem-estar? Qual o futuro de um velho continente que já não produz ciência e tecnologia e transfere suas indústrias para países pobres onde a mão-de-obra é mais barata? A impressão é que a Europa estagnou. Preocupa-se tão-somente em preservar seu conforto.

O que foi feito dos valores cristãos nessa sociedade que exalta a competitividade acima da solidariedade, e investe bilhões em biogenética e cosméticos, indiferente ao sofrimento de 4 bilhões de seres humanos que, segundo a ONU, vivem abaixo da linha da pobreza?

Por que os imigrantes causam tanto temor? São terroristas em potencial? Quem colonizou as terras deles e extraiu as riquezas minerais e naturais, deixando um rastro de miséria e dor?
Por que a Europa Ocidental encara a América Latina pela ótica do preconceito? Chávez e Morales não foram eleitos, como Lula, democraticamente? Por que vozes europeias não se erguem contra o bloqueio dos EUA a Cuba e o uso da base naval de Guantánamo como cárcere clandestino de supostos terroristas?
(...)

Por que tantos europeus se mobilizam contra enfermidades (AIDS, câncer, etc.), acidentes (de trânsito e trabalho) e violências (terrorismo, guerra, homicídios etc.), mas são indiferentes ao principal fator de morte precoce, a fome?

Por que os europeus parecem preferir a segurança à liberdade, e são tão condescendentes com a política agressiva do governo dos EUA, que busca a paz pela imposição das armas? (...)

Que futuro os cristãos europeus desejam para a Europa e para o mundo? O aprimoramento do sistema capitalista ou 'um outro mundo possível'?
Quais os sinais, hoje, de solidariedade efetiva dos cristãos europeus com os pobres da África, da Ásia e da América Latina?"

Frei Betto

Atualidade - Não existe amor em SP: o nó na orelha de Criolo

sexta-feira, 15 de julho de 2011 Marcadores:


Diversitá.

Uma das grandes músicas de 2011, que deixa a pulga, o mosquito, um elefante, um nó atrás da orelha. Direto do disco, gratuito para download, “Nó na Orelha”.

Criolo fala sem medo de colocar o dedo na ferida, com poesia e uma voz ímpar, e isso faz falta à música nacional.

Não existe amor em SP
Um labirinto mistico, onde os grafites gritam
Não dá pra descrever, numa linda frase
Que um postal tão doce, cuida do com doce
São Paulo é um buque, buque são flores mortas
Num lindo arranjo, arranjo lindo feito pra você

Não existe amor em SP
Os bares estão cheios de almas tão vazias
A ganancia vibra, a vaidade excita
Devolva minha vida e morra afogada em seu próprio mar de fél
Aqui ninguém vai pro céu

Não precisa morrer pra ver Deus
Não precisa sofrer pra saber o que é melhor pra você
Encontro duas nuvens em casa escombro em cada esquina
Me dê um gole de vida
Não precisa morrer pra ver Deus

Atualidade - Animais em extinção que estão revertendo o jogo.

sábado, 2 de julho de 2011 Marcadores:



"Primeiro foi necessário civilizar o homem em relação ao próprio homem. Agora é necessário civilizar o homem em relação a natureza e aos animais."

O homem está conseguindo consertar alguns de seus erros, salvando vários animais da extinção. No Brasil, a quantidade de animais ameaçados de extinção só aumentou porque ampliamos o nosso radar. Muitos deixaram essa lista.



JACARÉ-DE-PAPO-AMARELO

1980 eram 2000
2007 já são 20000

Problema: Vítima da destruição da Mata Atlântica.
Solução: Em parte preservou-se sozinho, fugindo para longe do litoral. E surgiram vários criadouros como o de Maceió com 5800 animais.



MICO-LEÃO-DOURADO

1992 eram 272
2007 já são 1200

Problema: Outra vítima da destruição da Mata Atlântica e também da caça para alimentar população rural.
Solução: Reservas maiores, que prevejam o seu deslocamento. A meta é até 2025
ter 2 mil animais em liberdade.



VEADO CAMPEIRO

1980 restavam apenas 100
2005 já haviam 10.000

Problema: É uma das sete espécies de cervídeos existentes no Brasil. Caçado por espalhar febre aftosa, era na realidade vítima dela. Instituto Brasileiro do Meio Ambiente - mostra que a caça e o desmatamento do segundo maior ecossistema brasileiro, o cerrado.
Embora protegido por leis, o veado-campeiro vai escasseando nos campos brasileiros, onde era tão abundante algumas décadas atrás. O principal motivo não está na deficiência das leis, mas na dificuldade de aplicá-las na repressão à caça clandestina.
Solução: Depois que recebeu um espaço especial no parque Nacional das Emas (GO) outros estados seguiram o exemplo.



FALCÃO DE MAURÍCIO

1975 restavam apenas 6
2006 já eram 1000

Problema: As florestas naturais da Ilha Maurício que originalmente cobriam 170 mil hectares, hoje cobrem apenas 5 mil. Também as espécies invasoras contribuíram para dizimar a espécie.
Solução: Um pesquisador pôs um casal para cruzar em cativeiro, aumentou a fertilidade da fêmea e ainda importou falcões europeus para ajudar a chocar ovos.



ELEFANTE AFRICANO

1970 eram 100 mil
2008 eram 678 mil

Problema: é o maior mamífero terrestre do planeta, no entanto, contrariamente a épocas como o Pleistoceno, não se encontra em todos os continentes. Uma das particularidades dos elefantes, nomeadamente, dos africanos, é que têm um estilo de vida matriarcal, sendo a fêmea mais velha que lidera a manada. A caça predatória para extração do marfim de suas presas e a redução de seu habitat reduzem a espécie.
Solução: Proibição do comércio de marfim em vários países além de muitas campanhas de preservação.

Mais

Atualidade - Pequeninos na Nigéria - É SEU PRIVILÉGIO AJUDAR...

domingo, 19 de junho de 2011 Marcadores:



TEMOS UM CAMINHO ÀS NAÇÕES.
CHAMADA À CONTRIBUIÇÃO PARA O SUSTENTO DA MISSÃO PEQUENINOS NA NIGÉRIA.

Atualidade - Dennis: Negro, enfermeiro, vencedor!

terça-feira, 26 de abril de 2011 Marcadores:



por Luana Diana dos Santos

A semana que passou foi de muita festa por aqui. Dennis, meu irmão mais velho, concluiu a graduação. Se antes tínhamos um técnico de enfermagem na família, agora temos um Enfermeiro. Para minha mãe, Dennis é um Doutor.

Assumo a minha tietagem. Dennis é apaixonado pela profissão que escolheu. Com entusiasmo, fala dos pacientes que pode auxiliar, principalmente dos idosos. Com indignação, expõe a precariedade do serviço de saúde no município em que trabalha. Com pesar, conta as histórias das mulheres agredidas por seus companheiros, dos viciados em crack, dos alcoólatras e dos jovens vítimas de armas de fogo. Nesses casos, a conversa nunca chega ao fim. Sempre o interrompo. Meu espírito não suporta tantas mazelas.

Foram quatro anos e meio para terminar a faculdade de Enfermagem. Dennis estudou a vida inteira em escola pública. Logo que concluiu o ensino médio, optou pelo curso técnico. Por vocação e pela certeza que a remuneração permitiria pagar as mensalidades em uma Universidade particular. A vida acadêmica foi dividida entre os plantões durante a noite, as aulas à tarde e os trabalhos aos finais de semana. Uma verdadeira luta!

Dentre os 50 formandos, Dennis era o único negro. E ainda há quem jure que vivemos numa democracia racial. Como? No Brasil, o número de estudantes negros matriculados no ensino superior não ultrapassa a casa dos 4%. Quando falamos dos cursos ligados à área da saúde, como Medicina, Odontologia e Enfermagem os dados são ainda mais perversos. Os afro-brasileiros correspondem a 0,8 e 1% do corpo discente. Se por um lado a maioria das vagas nas Universidades são ocupadas por brancos, filhos da classe média e oriundos de escolas particulares, no lado oposto está a juventude negra: grande parte é proveniente de famílias pobres, ingressam em cursos considerados “de menor prestígio social”, em horário noturno, e assim como o Dennis, em instituições privadas.

Durante a colação de grau, Dennis chorava copiosamente. Parecia uma criança. O lenço não foi suficiente para conter as lágrimas. Restou esquecer as regras de etiqueta e usar as mãos para secar o rosto. Enquanto isso eu questionava o porquê daquele choro que parecia não ter fim. Será que ele se lembrou dos que disseram que a faculdade não é para preto? Talvez tenha se recordado da professora que, “sem intenção de ofender”, afirmou ter dificuldades de enxergá-lo após uma queda de luz. Pode ser que tenha vindo em mente o amigo que, ao vê-lo vestido de branco, perguntou em tom de deboche se ele era pai de santo. Não. Acho que ele pensou na paciente que não aceitou ser atendida por um negro.

Minhas tentativas de descobrir o motivo de tantas lágrimas foram em vão. Acredito que nunca saberei. “Só quem sente, sabe”. Contudo, essas suposições evidenciam o caráter ardiloso e dissimulado do racismo brasileiro. Ao ascender socialmente, o negro não está imune à discriminação racial. Dessa forma, fica claro que associar o preconceito como resultado das diferenças entre classes sociais não passa de mera falácia. No imaginário popular, homens e mulheres negras tem um lugar pré-estabelecido na sociedade, e quando deixam de ocupar papéis subalternos, são vistos com desconfiança ou como sujeitos “fora do lugar”. Exemplos não faltam. Para ficar somente na esfera pública, relembro o assassinato do jovem boxeador Tairone Silva, morto por um policial militar em Porto Alegre no mês de março. Em Salvador, o vice-prefeito Edvaldo Brito já foi parado quatro vezes em blitz desde que assumiu o cargo. Policiais soteropolitanos precisavam saber o que um negro fazia num carro oficial.

Mas nem tudo está perdido. Desde a segunda metade dos anos 90, com a participação ativa do movimento negro, presenciamos um crescente debate em torno da necessidade de ações afirmativas que propiciem a inclusão e a permanência de afro-descendentes em Universidades, principalmente nas públicas. A aprovação do sistema de cotas em algumas instituições, a implementação da Lei 10.639/03, a criação de órgãos como a SEPPIR e o aumento expressivo de Núcleos de Estudos sobre a população negra nos campos das Ciências Humanas e Sociais fazem parte desse momento histórico. Embora não tenha agradado a todos, a sanção do Estatuto da Igualdade Racial em 2010 também deve ser vista como um sinal de novos tempos.

Na formatura, Dennis era exceção. Como o Ariano Suassuna, sou uma “realista esperançosa”, e por isso creio que um dia finalmente alcançaremos a democratização do acesso ao ensino superior. Caminhamos lentamente para que isso aconteça, bem sei. Importa é que os passos sejam firmes, cheios de esperança e coragem. Dennis é um vencedor, assim como tantos jovens que entenderam que poderiam alçar voos mais altos e romper com processo de invisibilidade e marginalização a que foi impelida a população negra desde que pisou em solo brasileiro. É chegada a hora de enxugar as lágrimas e exigir o que nos é de direito: a igualdade de participação e de escolha.

Parabéns, Dennico!

*Luana Diana dos Santos é Historiadora e Professora da Rede Estadual de Educação de Minas Gerais.

luanatolentino@yahoo.com.br

Atualidade - Política é coisa de quem fala “errado” também

quarta-feira, 20 de abril de 2011 Marcadores:



Leonardo Sakamoto.

Algumas das pessoas mais sábias que conheci são iletradas. E alguns dos maiores idiotas têm doutorado. Às vezes, mais de um.

Significa que os iletrados são melhores que os doutores? Não. Então, o contrário? Também não.

O nível de escolaridade e a forma através da qual uma pessoa se expressa é irrelevante frente ao conteúdo que pode agregar a uma discussão. Se ela conseguiu fazer com que os outros a entendessem, ótimo, fez-se a comunicação.

(Uma minoria dos leitores deste blog não entendeu isso ainda e desvaloriza a opinião de um outro leitor porque este separou sujeito e predicado com vírgula. Mesquinhos, sabe? Ou que oprime quem não sentou em bancos de escola. Para esses, um pedido: faça um favor para si mesmo e leia Patativa do Assaré.)

Mas o que esperar de uma sociedade em que pipocam pessoas que desconsideram o interlocutor por não saber acertar uma concordância verbal ou conjugar um verbo? (“Meu Deus! Você não sabe flexionar o verbo “funhunhar” no futuro do subjuntivo? É um ogro!”) E na qual o domínio da norma culta (que, convenhamos, é um porre) é alçado à condição de passaporte para a participação nas discussões sobre o destino da pólis.

A lingua é construída pela boca das pessoas no dia-a-dia e não por meia dúzia de iluminados. É dinâmica, em constante mutação e, para sobreviver, não precisa de formalismos – que são exatamente isso, construções, muitas vezes definidas pelo grupo hegemônico. Como dizer que uma pessoa que nasceu e cresceu falando português está errada ?

Dizer que um pescador, um vendedor ambulante, uma baiana do tabuleiro, uma quilombola ou ribeirinha ou um pedreiro “desconhecem a própria língua” não é um ação pedagógica e sim um ato político. Excludente. Que usa uma justificativa supostamente técnica para manter do lado de fora dos debates sobre o futuro da nação a maior parte da sociedade brasileira.

A quem interessa a manutenção desse comportamento? A quem está no poder e, muitas vezes, usa a língua como instrumento de coerção? Certamente bem mais do que a quem não foi chamado para a festinha e acha que política é coisa de gente estudada.

Em tempo: Sobre o assunto, sugiro o livro do professor Marcos Bagno: “Preconceito Linguístico – o que é, como se faz”, das Edições Loyola – que já passou da 50ª edição.

Atualidade - Carnaval, Futebol e...Ciência

segunda-feira, 7 de março de 2011 Marcadores:



Por Mondo Cane

Apesar do protagonismo internacional do Brasil nos últimos anos, ainda é comum no imaginário estrangeiro a ideia de que somos, predominantemente, a terra do carnaval, do futebol, do samba, do mar, das mulheres etc. Sem abandonar a defesa de nossa cultura e atributos naturais, pelo contrário, nosso país é muito mais diverso e múltiplo.

Em artigo recente, a revista The Economist examina o excelente momento em que passa o Brasil na produção de ciência e tecnologia. O texto deixa claro que o resultado extremamente positivo nessa área foi alcançado durante os 8 anos de Governo Lula.

Lula, sempre criticado por boa parte da grande imprensa e da elite devido à sua “falta de títulos acadêmicos” criou 214 escolas técnicas, 14 universidade (inclusive a do ABC) e mais 124 extensões. O governo FHC não criou nenhuma escola técnica federal, nenhuma universidade e cortou substancialmente recursos das agências federais de financiamento à pesquisa, como CNPq e Finep.

Entre outros pontos, a revista inglesa destaca a formação de meio milhão de bacharéis e 10 mil doutores por ano, além do aumento de 1,7% para 2,7% da participação do Brasil na produção de ensaios científicos entre 2002 e 2008; bem como o reconhecimento internacional da liderança brasileira em bioenergia, botânica e medicina tropical.

O ex-Ministro da Ciência e Tecnologia do governo Lula, Sérgio Rezende, em entrevista à Rede Brasil Atual, afirma que durante a administração passada, tivemos o melhor momento do Brasil no setor. Justifica sua declaração com alguns números, como o empréstimo de R$ 1,5 bilhão em 2010 pela Finep para o fomento científico e tecnológico, sendo que a média até 2002 era de somente R$ 100 milhões. No mesmo período, sublinha a elevação do orçamento do Fundo Nacional do Desenvolvimento Científico e Tecnológico de R$ 350 milhões para R$ 3,2 bilhões e o crescimento dos recursos do Programa Espacial Brasileiro de R$ 70 milhões para R$ 400 milhões.

No último mês de novembro, a UNESCO publicou um relatório sobre a situação da produção científica no mundo. Nele constatou que nosso país é o 13º maior produtor de ciência, tendo publicado 26.482 artigos científicos. 90% das universidades públicas.

No ABC há também grandes perspectivas para a geração de ciência e tecnologia. Entre elas, informa a última edição da revista INOVABCD, a empresa sueca Saab implantará em São Bernardo um centro de pesquisas com investimento de US$ 50 milhões. Em parceria com a Universidade Federal do ABC e o Centro Universitário da FEI, a nova instituição trabalhará nas áreas aeroespaciais, segurança civil, inovação urbana e defesa.

Ainda há muito que crescer no setor para podermos alcançar a média dos países capitalistas centrais, mas os primeiros passos foram efetivamente dados. Cabe às empresas e aos governos seguirem ampliando e melhorando suas políticas e investimentos.


Atualidade - O Metrô mais caro do mundo e a cortina de fumaça

domingo, 13 de fevereiro de 2011 Marcadores:




O blogueiro Paulo Caval-canti, que mora na Zona Leste de São Paulo e é usuário de Metrô, publicou um interessante artigo em seu blog, questionando o aumento do valor da tarifa de Metrô em São Paulo e comparando a qualidade deste transporte ao serviço oferecido em outras me-trópoles do mundo. O texto foi publicado origi-nalmente no Blog do Paulinho.

Hoje, os paulistanos estão sendo brindados com a notícia de aumento dos trens do Metrô, um reajuste de 9,43%, que o tucano Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou ontem [8/2], passará a vigorar a partir de domingo, dia 13. Desnecessário dizer que o aumento é superior ao índice de inflação acumulado durante o ano indexados ao Índices de Preços ao Consumidor (IPCA) que foi de 6%.

Paulo Cavalcanti

Não precisa ser economista formado pela Faculdade de Economia da USP para chegar a uma conclusão óbvia sobre o “xoque de jestão” tucano – que sempre empurra a vara além daquilo que ela já é – ou seja, aplicar um aumento de 9,43%, quando o índice correto seria 6%, trata-se de estelionato administrativo, uma vez que estão aplicando 3,43% acima da inflação do período.

Este blogueiro, especialista em nada, fez as continhas básicas e chegou à conclusão de que Alckmin e sua trupe omitem da população que, na verdade, não aplicaram só 3,43% acima da inflação, e sim 57,17% a mais do que aquilo que deveriam aplicar. Isso é um jogo de números, pura cortina de fumaça.

Vamos “desfolclorizar” a matemática “deles” com anuência da imprensa – velha amiga de sempre que não tem o menor interesse em “analisar” o falsete que aplicam. Observem:

Se o índice correto a ser aplicado é de 6%, você pega a diferença daquilo que “eles” aplicaram (3,43%) para fechar os 9,43% e aplica em forma de percentual sobre 6%. O resultado é o valor que eles jogaram além da inflação: 57,17% a mais (que foram os 3,43%).

Aí vem a cortina de fumaça. Com conivência da imprensa, então, “eles” declaram:

“Apesar do reajuste, a passagem do Metrô seguirá mais barata que a dos ônibus municipais, cuja alta de R$2,70 para R$3,00 foi dada pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM) em janeiro –11,11%, também acima da inflação.”

Perceberam o joguete que sempre fazem em parceria, no velho estilo, um levanta a bola, outro chuta? Agora Kassab é desafeto deles, então vale a comparação (hoje) oportunista, pois dormiram na mesma cama até ontem.

A Folha de S.Paulo de hoje, sem citar nomes, no velho estilo do bom jornalismo tucano, escreve: “integrantes” da gestão Alckmin ouvidos pela Folha citaram dois fatores para a decisão do reajuste da tarifa do Metrô acima da inflação. Porém, eles citam três (talvez seja distração do jornalista):

1) De ordem técnica, é a preocupação de, abaixo de R$2,90, superlotar mais a rede metroviária devido à diferença do preço dos ônibus.

2) A demanda na Linha 3-Vermelha (Leste/Oeste) já é suficiente para carregar 10,9 passageiros por m2, contra um índice de desconforto recomendado de até 6 por m2.

3) Outro fato, de ordem política, é que um índice maior neste começo de mandato pode levar ao reajuste menor no próximo ano de eleições.

Atenção para a justificativa de outro aumento em breve:

Aos leitores e usuários dos trens do Metrô, faço aqui uma alerta, que irá redundar em um aumento de tarifa num futuro bem próximo. Já observaram umas caixinhas amarelas esparramadas entre os trilhos nos trechos de estações? Aquilo se trata de uma “novidade”, que é a implementação de uma nova sinalização.

O Metrô hoje trabalha com um padrão de sinalização ATO, ou seja funciona em automático, com blocos de trens de 150 metros de distância uns dos outros. Com aquelas caixinhas, estarão implantando o sistema CBTC, que trabalhará com intervalos de 15 metros entre os trens, o que, segundo eles, provocará um ganho de 25% a mais de trens nos horários de pico, reduzindo assim a lotação. Uma vez implantando, lá vem aumento novamente, podem escrever aí.

Agora vamos comparar os Metrôs?
– Metrô de Londres tem 415 km de trilhos para atender uma população de 19,8 milhões de habitantes com 11 linhas, 270 estações, transportando 2,95 milhões de passageiros/dia e com a média de 7.108 passageiros por km;

– Metrô de Nova Iorque tem 398 km de trilhos para atender uma população de 30,4 milhões de habitantes com 26 linhas, 468 estações, transportando 5,6 milhões de passageiros/dia e com a média de 14.070 passageiros por km;

– Metrô de Madri tem 283 km de trilhos para atender uma população de 8,1 milhões de habitantes com 12 linhas e 293 estações, transportando 2,5 milhões de passageiros/dia e com a média de 8.809 passageiros por km;

– Metrô de Tóquio tem 195,1 km de trilhos para atender uma população de 44,8 milhões de habitantes com 9 linhas e 179 estações, transportando 6,2 milhões de passageiros/dia e com a média de 31.794 passageiros por km;

– Metrô de Paris tem 211 km de trilhos para atender uma população de 13,3 milhões de habitantes com 16 linhas e 380 estações, transportando 4 milhões de passageiros/dia e com a média de 19.126 passageiros por km;

– Metrô de São Paulo tem 61 km de trilhos para atender uma população de 30,8milhões de habitantes com 4 linhas e 55 estações, transportando 3,7 milhões de passageiros/dia e com a média de 60.655 passageiros por km.

Conclusão
Quando o PSDB assumiu o governo de São Paulo, em 1995, a rede metroviária tinha 43,4 quilômetros de extensão. Atualmente, tem 62,3 quilômetros. Nesses 15 anos, o Metrô avançou apenas 18,9 quilômetros – o que indica um crescimento de apenas 1,26 km ao ano.

Entre as grandes capitais do mundo, a rede paulistana só é maior que a de Buenos Aires, mas transporta quatro vezes mais passageiros por quilômetro instalado. E aí pode-se observar que o Metrô de São Paulo é o mais lotado do mundo, chegando a transportar até dez passageiros por metro quadrado, quando o “aceitável” são quatro passageiros e o “tolerável”, seis.

Quando forem inauguradas, sabe Deus quando, a Linha 4-Amarela e o prolongamento da Linha 2-Verde, a rede paulistana contará com 78 quilômetros, o que dará um crescimento médio de 2,3 quilômetros ao ano até 2010, a contar de 1995. Se mantida essa média, para o Metrô de São Paulo chegar a 200 quilômetros de trilhos levará mais 60 anos, ou seja, só em 2070.

Observem o absurdo, pois enquanto o Metrô de Nova Iorque custa 50 centavos de dólar e, em Buenos Aires, 36 centavos de dólar, nosso Metrô custa 2 dólares.

Fontes: Transport for London, Metropolitan Transportation Authority, Metro de Madrid, Tokyo Metro, RATP, IBGE, INSEEE, Word City Population – OMS

Paulo Cavalcanti é morador na Zona Leste de São Paulo.

Via Vermelho.

Atualidade - O segredo da felicidade

sábado, 29 de janeiro de 2011 Marcadores:

Rogério Tuma

Não nos confins de Minas, mas em Itabirito, perto de Ouro Preto. Mas nem em Itabirito, lá no Amarante fui encontrar o mais jovem dentista do Brasil. Praticante desde os 18 anos, o doutor Geraldo, hoje com seus inaparentes 70 anos, exerce a odontomedicina há 52 anos, desde o dia em que o dentista da cidade decidiu abandonar o seu posto e voltar para a cidade grande.

“Eu era o mais jovem cliente da loja de materiais odontológicos de Belo Horizonte”, regozija-se o doutor Geraldo, flautista da banda da cidade, tiradentes de profissão e, nas horas vagas, o médico da cidade.

O doutor Geraldo também arrumava relógio de parede e rádio de válvula. Mas, depois que os anos se passaram, foi totalmente consumido pelo seu trabalho na saúde. Seu meio de transporte era a bicicleta. Pedalava pelos morros de Amarante para aplicar injeções, soros e trocar curativos. Não cobrava nada pelas visitas domiciliares. Às vezes, recebia um frango ou um queijo – “e já era mais do que bom”.

Não tinha tempo bom nem ruim. Todos os dias eram de trabalho árduo e mal remunerado. O que para muitos poderia parecer uma desgraça fez com que o esbelto doutor Geraldo encontrasse a felicidade nas histórias que tem para contar. Uma vez, precisou aplicar soro num caboclo todos os dias, ao longo de um mês inteiro. Terminadas as visitas, recebeu apenas um “muito obrigado. E um pedido de carona.

Depois de tanto dente arrancar, recebendo de um cliente ou outro, conseguiu comprar um fusca ano 1962. Foi o primeiro carro da região. Mesmo mal remunerado, o doutor Geraldo era um dos mais bem-sucedidos profissionais da região.

Casou por ali mesmo. Hoje apresenta os filhos, netos e bisnetos com orgulho, todos com saúde e à volta dele. O que mais quer um homem de família?

O doutor Geraldo formou-se dentista apenas 20 anos depois de se iniciar no ofício. Ainda trabalhou por mais 32 anos e fez a prótese de quase todo mundo que passava à sua frente.

Mas a cidade boa ficou para trás. Antes, todo mundo se conhecia. Agora, poucos vizinhos se falam. O detalhe é que essa conversa se travou no aniversário de 1 ano do Tales, filho da Camila. Mais de 200 pessoas compareceram, e parecia que a cidade toda estava por lá. De todo modo, o mundo inteiro parece estar pior.

Há 50 anos, Amarante era uma cidade promissora. Tinha um time de futebol, uma farmácia, uma banda e o dentista. Só faltava um médico. O competidor mais próximo era o cunhado, que mexia com ervas como ninguém. Tinha erva para tudo, menos para alucinações. Lembra o doutor Geraldo que o primeiro caso de drogas foi sabido na região há menos de 20 anos. O homem das drogas era curandeiro mesmo, e dos bons, só que cobrava caro, mas não em dinheiro: depois da cura ficava lembrando o paciente e a população do feito. Neste nosso tempo chamaríamos de assessoria de imprensa.

Chegou-se então à mesa o Tio Santinho, que à época comprou um táxi para levar e trazer o povo para se tratar na capital. Logo o táxi virou uma ambulância. “Mas o empreendimento não durou muito”, reclama o Tio Santinho, que não precisa explicar o apelido. Os clientes não tinham dinheiro para a corrida. Nem para comprar o remédio prescrito. Lá ia o Tio Santinho, no transporte, à farmácia e de volta ao sítio, cada vez com menos dinheiro.

Não dá para entender como essa gente viveu tanto de ar, de “obrigados”, dando sem receber e continuando com tanta saúde. Numa época em que a bondade virou “terceiro setor”, devendo ser autossustentável, não se descobre a fórmula do sucesso. Aquela caboclada está lá, feliz da vida, rica, sem sentir falta de nada.

A ciência ainda tem muito que aprender com a simplicidade dessa gente, que há décadas tem a fórmula do elixir da felicidade, enquanto nós, do futuro, gastamos bilhões para encontrar o antidepressivo perfeito.


Atualidade - Por que os Estados Unidos temem democracia no mundo árabe

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por Luiz Carlos Azenha

Vamos começar deixando de lado a ideia de que o que se passa no mundo árabe é uma revolução do twitter, do facebook, da Al Jazeera ou das mídias sociais.

O Vinicius Torres Freire acertou, na Folha. “De acordo com esses correspondentes, não seria possível haver Revolução Francesa, Russa, maio de 1968, Diretas-Já ou as revoluções que derrubaram as ditaduras comunistas, dado que na maioria dessas revoluções não havia nem telefones”, escreveu ele.

Voltarei ao tema.

Vinicius acerta de novo, mais adiante, quando toca no ponto central: os milhões de jovens desempregados e sem perspectivas de vida que vivem no mundo árabe.

Não tenho muita experiência de reportagens na região, a não ser por algumas semanas trabalhando no Iraque, na Jordânia e no Marrocos.

Em todos esses lugares testemunhei a frustração dos jovens árabes (na periferia de Casablanca, no Marrocos, fui a uma favela cercada de altos muros brancos, onde a pobreza era devastadora mesmo pelos padrões africanos).

Nunca me esqueço do desabafo de um jovem palestino, morador de Amã, na Jordânia, sobre o drama pessoal que enfrentava: a falta de condições para pagar o dote, casar e conseguir morar com a esposa em endereço próprio.

São esses dramas pessoais, multiplicados por milhões, que movem hoje o que se costuma chamar de “rua árabe”. Dramas que se desenrolam diante de governos autoritários, corruptos e completamente desligados da realidade das ruas.

Aí, sim, é preciso notar o impacto das tecnologias da informação, mas muito mais da telefonia celular e da TV via satélite do que propriamente das mídias sociais, muito embora as lanhouses fervilhem em quase todas as grandes cidades do mundo árabe.

Depois de um rápido processo de urbanização, a frustração dos jovens árabes agora se dá num cenário em que eles são expostos diariamente aos objetos de consumo e ao padrão de vida que “recebem” via satélite, especialmente nos intervalos das transmissões de futebol europeu (no norte da África há mais torcedores do Manchester United do que no Reino Unido, por exemplo).

Washington sustenta o governo egípcio à base de cerca de 5 bilhões de dólares anuais.

É muito pouco provável que o governo Obama vá além de declarações vazias a respeito do governo ditatorial de Hosni Mubarak, ou de “platitudes” em defesa da liberdade de expressão da população.

A reticência dos Estados Unidos — e de todos os governos ocidentais — em relação ao Egito tem relação com o fato de que qualquer democratização para valer dos países árabes aumentará o poder dos partidos islâmicos (a Irmandade Islâmica, por exemplo, no Egito).

Foi prometendo combater a corrupção e promovendo serviços sociais que o Hamas e o Hizbollah ganharam legitimidade respectivamente em Gaza e no Líbano.

Notem, nas próximas horas, como os governos ocidentais vão enfatizar a necessidade de “preservar a estabilidade” e a “segurança” dos governos árabes que estão na defensiva.

Democracia nos países árabes resultaria em governos menos submissos aos Estados Unidos, mais “antenados” com as ruas e, portanto, muito mais agressivos em defesa dos direitos e dos interesses dos palestinos — para não falar em defesa de seus próprios interesses.

Será muito curioso observar, nos próximos dias, a dança hipócrita dos que defendem apaixonadamente a democracia no Irã mas se esquecem de fazer o mesmo quando se trata do Egito. Inclusive no Brasil.

PS do Viomundo: Vamos ver se o governo Obama deixa de fornecer gás lacrimogêneo e outros equipamentos de “segurança” ao governo Mubarak, por exemplo.


Atualidade - O preço de não escutar a natureza

domingo, 16 de janeiro de 2011 Marcadores:



Leonardo Boff

O cataclisma ambiental, social e humano que se abateu sobre as três cidades serranas do Estado do Rio de Janeiro, Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, na segunda semana de janeiro, com centenas de mortos, destruição de regiões inteiras e um incomensurável sofrimento dos que perderam familiares, casas e todos os haveres tem como causa mais imediata as chuvas torrenciais, próprias do verão, a configuração geofísica das montanhas, com pouca capa de solo sobre o qual cresce exuberante floresta subtropical, assentada sobre imensas rochas lisas que por causa da infiltração das águas e o peso da vegetação provocam frequentemente deslizamentos fatais.

Culpam-se pessoas que ocuparam áreas de risco, incriminam-se políticos corruptos que destribuíram terrenos perigosos a pobres, critica-se o poder público que se mostrou leniente e não fez obras de prevenção, por não serem visíveis e não angariarem votos. Nisso tudo há muita verdade. Mas nisso não reside a causa principal desta tragédia avassaladora.

A causa principal deriva do modo como costumamos tratar a natureza. Ela é generosa para conosco pois nos oferece tudo o que precisamos para viver. Mas nós, em contrapartida, a consideramos como um objeto qualquer, entregue ao nosso bel-prazer, sem nenhum sentido de responsabilidade pela sua preservação nem lhe damos alguma retribuição. Ao contrário, tratamo-la com violência, depredamo-la, arrancando tudo o que podemos dela para nosso benefício. E ainda a transformamos numa imensa lixeira de nossos dejetos.

Pior ainda: nós não conhecemos sua natureza e sua história. Somos analfabetos e ignorantes da história que se realizou nos nossos lugares no percurso de milhares e milhares de anos. Não nos preocupamos em conhecer a flora e a fauna, as montanhas, os rios, as paisagens, as pessoas significativas que ai viveram, artistas, poetas, governantes, sábios e construtores.

Somos, em grande parte, ainda devedores do espírito científico moderno que identifica a realidade com seus aspectos meramente materiais e mecanicistas sem incluir nela, a vida, a consciência e a comunhão íntima com as coisas que os poetas, músicos e artistas nos evocam em suas magníficas obras. O universo e a natureza possuem história. Ela está sendo contada pelas estrelas, pela Terra, pelo afloramento e elevação das montanhas, pelos animais, pelas florestas e pelos rios. Nossa tarefa é saber escutar e interpretar as mensagens que eles nos mandam.

Os povos originários sabiam captar cada movimento das nuvens, o sentido dos ventos e sabiam quando vinham ou não trombas d’água. Chico Mendes com quem participei de longas penetrações na floresta amazônica do Acre sabia interpretar cada ruído da selva, ler sinais da passagem de onças nas folhas do chão e, com o ouvido colado ao chão, sabia a direção em que ia a manada de perigosos porcos selvagens. Nós desaprendemos tudo isso. Com o recurso das ciências lemos a história inscrita nas camadas de cada ser. Mas esse conhecimento não entrou nos currículos escolares nem se transformou em cultura geral. Antes, virou técnica para dominar a natureza e acumular.

No caso das cidades serranas: é natural que haja chuvas torrenciais no verão. Sempre podem ocorrer desmoronamentos de encostas. Sabemos que já se instalou o aquecimento global que torna os eventos extremos mais freqüentes e mais densos. Conhecemos os vales profundos e os riachos que correm neles. Mas não escutamos a mensagem que eles nos enviam que é: não construir casas nas encostas; não morar perto do rio e preservar zelosamente a mata ciliar. O rio possui dois leitos: um normal, menor, pelo qual fluem as águas correntes e outro maior que dá vazão às grandes águas das chuvas torrenciais. Nesta parte não se pode construir e morar.

Estamos pagando alto preço pelo nosso descaso e pela dizimação da mata atlântica que equilibrava o regime das chuvas. O que se impõe agora é escutar a natureza e fazer obras preventivas que respeitem o modo de ser de cada encosta, de cada vale e de cada rio.

Só controlamos a natureza na medida em que lhe obedecemos e soubermos escutar suas mensagens e ler seus sinais. Caso contrário teremos que contar com tragédias fatais evitáveis.